Olá alunos, dois artigos para refletirmos sobre que Jornalismo queremos. Depende de nós!!
Bom final de semana.
Saudações,
Letícia Cardoso.
 
 
"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas não faz mais do que existir."  (Oscar Wilde)
 
Leticia Cardoso


--- Em qui, 18/6/09, Larissa Leda Rocha <larissaleda@gmail.com> escreveu:

 
Envio dois bons artigos sobre a questão do diploma de jornalista. Ambos no site Observatório da Imprensa (http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/index.asp).
Sabem, a Imprensa? Aquela casa da mãe Joana onde cozinheiro pode trabalhar... Ou costureira. E até jornalista. Pelo visto, aqui, dá no mesmo...

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Larissa Leda Rocha ツ

 
DIPLOMA DE JORNALISMO
O STF e o jornalismo de qualidade
Por Alfredo Vizeu em 5/8/2008
O Supremo Tribunal Federal tem em mãos a decisão sobre se o Brasil deve ter um jornalismo de qualidade ou não. No segundo semestre deste ano, o Supremo julga o Recurso Extraordinário (RE) 511961 que, se aprovado, desregulamenta a profissão de jornalista. Ou seja, extingue a obrigatoriedade do diploma em Curso de Jornalismo para o exercício da atividade. Com isso, qualquer pessoa pode desempenhar a função, implicando num retrocesso ao tempo em que o exercício do jornalismo dependia de relações de apadrinhamento, favores, compadrios e outros interesses que não o compromisso social do jornalismo nas sociedades democráticas.
De forma alguma o jornalismo, que tem no jornalista um especialista qualificado, representa um impedimento ou cerceamento de trabalhadores, sindicatos, movimentos sociais, ONGs, advogados, médicos, dentistas, políticos de se manifestarem das mais diversas formas em jornais, rádios, TVs e na internet. Não é só um direito constitucional, mas um princípio ético fundamental na democracia.
Descrição correta dos fatos
O campo do jornalismo não se limita à prática profissional. O jornalismo é um campo científico, um campo de ensino e um campo de práticas profissionais. Em relação ao primeiro, entendo o jornalismo como um campo com objeto, metodologias e teorias próprios, o que não exclui em nenhum momento, a atividade multidisciplinar com outras áreas do conhecimento. Num segundo momento, o jornalismo envolve toda uma atividade de ensino que vai contribuir decisivamente para a formação de novos profissionais. Por fim, é um lugar de práticas profissionais nas quais é exercida uma série de funções, todas ligadas à produção da notícia.
Retomando argumentos que utilizei num artigo que escrevi no Jornal do Commercio, de Pernambuco, lembro que o processo de elaboração da notícia exige um especialista, com formação teórica e prática, que tenha condições de estabelecer mediações entre a realidade global e o público ou audiência interativa que se serve de jornais, rádios, TV e internet. O presente social que o jornalismo contribui cotidianamente para construir é muito maior que a família, os vizinhos e o trabalho. Graças ao jornalismo, vivemos no mundo e sabemos um pouco o que está se passando em todas as partes.
O rigor do método é central para o jornalismo. Ele garante a objetividade e a verdade possíveis que resultam numa postura ética. Na investigação jornalística é preciso uma descrição correta dos fatos. Publicar unicamente informações cuja origem se conhece, ou senão acompanhá-las das reservas necessárias; não suprimir informações essenciais; não alterar textos, nem documentos; e retificar uma informação publicada que se revele inexata.
"Algozes das consciências"
Esses procedimentos, apresentados de uma forma resumida, devem fazer parte do cotidiano do jornalismo. Na medida em que um jornalista procura ser objetivo, se aproximar da verdade dos fatos, ele está tendo uma postura ética com a sua atividade. Ele está imbuído de algo que é central no jornalismo: o respeito intransigente ao ser humano, a dignidade no tratamento com homens e mulheres.
O jornalista que seja tentado, como bem observa Daniel Cornu no livro Jornalismo e Verdade: para uma ética da profissão, publicado em 1999, a abrir mão do rigor do método, esquece o respeito ao outro, vítima, testemunha, parente, espezinha o respeito que deve a si mesmo: não é mais que um instrumento – um meio! – da informação. Está reduzido à função que o campo jornalístico lhe atribui. É prisioneiro de um determinismo reificante, de que o seu próprio cinismo não é capaz de o libertar. Se há rigor no método, a notícia se aproxima da objetividade e da verdade dos fatos, garantindo uma postura ética do jornalismo diante da realidade dos acontecimentos.
Por fim, tenho certeza que os juízes do Supremo Tribunal Federal vão decidir por um jornalismo de qualidade para o Brasil. Como alerta a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), com correção: "...os ministros do STF não podem permitir que se volte a um período obscuro em que existam donos absolutos e algozes das consciências dos jornalistas e, por conseqüência , de todos os cidadãos".
 
DIPLOMA DESNECESSÁRIO
Uma decisão danosa
Por Alberto Dines em 18/6/2009
Difícil avaliar o que é mais danoso: a crítica do presidente Lula à imprensa por conta das revelações sobre o comportamento do senador José Sarney (PMDB-AP) ou a decisão do Supremo Tribunal de eliminar a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo. São casos diferentes, porém igualmente prejudiciais à fluência do processo informativo. E exibem a mesma tendência para o sofisma, a ilusão da lógica.
Fiquemos com a decisão do STF. Embora irreversível, não é necessariamente a mais correta, nem a mais eficaz. A maioria do plenário seguiu o voto do presidente da Corte, Gilmar Mendes, relator do processo, que se aferrou à velha alegação de que a obrigatoriedade do diploma de jornalista fere a isonomia e a liberdade de expressão garantida pela Constituição.
Para derrubar esta argumentação basta um pequeno exercício estatístico: na quarta-feira em que a decisão foi tomada, nas edições dos três jornalões, dos 29 artigos regulares e assinados, apenas 18 eram de autoria de jornalistas profissionais, os 11 restantes eram de autoria de não-jornalistas. Esta proporção 60% a 40% é bastante razoável e revela que o sistema vigente de obrigatoriedade do diploma de jornalismo não discrimina colaboradores oriundos de outras profissões.
No seu relatório, o ministro Gilmar Mendes também tenta contestar a afirmação de que profissionais formados em jornalismo comportam-se de forma mais responsável e menos abusiva. Data vênia, o ministro-presidente da Suprema Corte está redondamente enganado: nas escolas de jornalismo os futuros profissionais são treinados por professores de ética e legislação e sabem perfeitamente até onde podem ir.
É por isso que na Europa e Estados Unidos onde não existe a obrigatoriedade do diploma de jornalismo, são as empresas jornalisticas que preferem os profissionais formados em jornalismo, justamente para não correrem o risco de serem processadas e punidas com pesadas indenizações em ações por danos morais.
O STF errou tanto no caso da derrubada total da Lei de Imprensa como no caso do diploma. E foi induzido pela mesma miopia. (segue)